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Cascais ajuda "institucionalizados"

ATUAL


Por CASCAIS24


Dá pelo nome de projeto “Casas da Ponte", tem cinco anos e, basicamente, o seu objetivo é colocar jovens institucionalizados de ambos os sexos que, atingidos os 18 anos, podem ocupar um chamado apartamento de autonomização.


Estes apartamentos de autonomização foram pensados e desenvolvidos para acolher jovens provenientes das Casas de Acolhimento da Fundação “O Século”, sediada em São Pedro do Estoril, e de outras instituições, pretendendo-se que desenvolvam competências sociais e pessoais, que lhes permitam fazer a transição adequada para uma vida autónoma de forma plena, segura e integrante, fora da Instituição que os acolhe.

Atualmente, existem três apartamentos (T3 e T4) do género- dois no Bairro de Outorela, em Carnaxide, concelho de Oeiras, destinados a raparigas, e um inaugurado há dias na Parede, concelho de Cascais, destinado a rapazes.


Carlos espera a sua autonomia
“Eu acho que vou entrar!” Carlos está confiante. Espera ser um dos jovens escolhidos para morar no novo apartamento de autonomização da Fundação “O Século”, que foi inaugurado na Parede. Por isso, não quis faltar à inauguração do novo T3 do projeto Casas da Ponte, fazendo questão de mostrar a sua confiança a quem quis ouvir durante a cerimónia.


Para já, Carlos, que vive ainda numa das Casas de Acolhimento da Fundação “O Século”, é um entre vários candidatos que estão em processo de seleção pelas técnicas do projeto. 


Só mais à frente, depois de avaliados todos os candidatos, se saberá se Carlos será ou não um de três rapazes escolhidos para passar a viver neste terceiro apartamento de autonomização da Fundação, destinado somente a jovens do sexo masculino.  





“É um caminho novo”, enfatizou o presidente da Fundação de “O Século” Emanuel Martins, durante a inauguração do novo apartamento.


“Nós ainda não escolhemos quais são os jovens que vêm para aqui viver, porque, neste caso, não se pode dizer ‘já têm 18 anos, vamos pô-los daqui para fora e vão para os apartamentos de autonomia’. Não é assim, nem queremos que seja assim, porque eles têm de mostrar aptidão para começar a sua nova vida sozinhos e nós não queremos deixar estes jovens sem a nossa retaguarda. A ideia não é vermo-nos livres deles, bem pelo contrário, é vivermos com eles”, concretizou o responsável da Fundação.  
Emanuel Martins, presidente de "O Século"


Quem não quis faltar a inauguração deste novo apartamento foi Leonor Lucena, a responsável pelo arranque das Casas da Ponte, na Fundação “O Século”, que ajudou a explicar a importância que os apartamentos da autonomização têm para os jovens institucionalizados. 


“Passar do ambiente protegido do acolhimento para uma autonomia plena é muito difícil e muito duro, porque existe um grande fosso entre uma coisa e outra. Nós sentíamos que os jovens que saiam do acolhimento se sentiam muito perdidos. Por isso, sentimos essa necessidade e daí surgiu o projeto. Estes apartamentos de autonomia vêm atenuar esse fosso que existia. O acompanhamento e o apoio nesta fase é essencial para estes jovens conseguirem estruturar-se, não só nesta fase da autonomia, mas, também, interiormente, para que sejam melhores adultos”, precisou Leonor Lucena. 


O apartamento agora inaugurado é o primeiro de dois cedidos pela Câmara Municipal de Cascais e destina-se exclusivamente a jovens do sexo masculino. 


Um projeto que, em quase cinco anos de vida, conta já com “vários casos de sucesso” entre os vários jovens que passaram a viver nos apartamentos de autonomização, explicou o presidente da Fundação “O Século”. 


Emanuel Martins não deixou passar a oportunidade de agradecer a “ajuda meritória” dos municípios de Oeiras e Cascais, que cederam as habitações onde estão a funcionar as Casas da Ponte. “Isto não seria possível de concretizar, porque por muito boa vontade que tivéssemos, nada seria feito. Isto só é possível porque os municípios se envolvem, sem este apoio seria completamente impossível, porque nós não teríamos condições de comprar um, dois ou três apartamentos”. 


“Nós é que agradecemos à Fundação”, retorquiu Frederico Pinho de Almeida, vereador da Ação Social da Câmara Municipal de Cascais, que esteve presente na inauguração do apartamento de autonomização.  

Frederico Pinho de Almeida






“Nós nestes casos só somos os facilitadores e quando fomos contatados pela Fundação para aumentar esta dinâmica dissemos logo que sim”, lembrou o autarca, desejando que “estas sinergias resultam em finais felizes e o final feliz é ter esta resposta a funcionar”. 


“Esta é a política da Câmara de Cascais nestes casos. Temos um conjunto de fogos que totalizam 2350, que são geridos pela Cascais Envolvente. A grande maioria está alocada à habitação social, mas, obviamente, cedemos alguns fogos sempre que há esta possibilidade de as instituições concelhias avançarem com este tipo de projetos. Obviamente, estamos cá sempre para avançarmos”, adiantou o vereador, lembrando que nos últimos dois anos a autarquia tem “intensificado a cedência de apartamentos de autonomização a diversos níveis, entre os quais ex-reclusos, jovens com deficiência e senhoras vítimas de violência doméstica”.

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